quinta-feira, 5 de abril de 2012

PARABÉNS

Os meus PARABÉNS ao Valteir e ao Renato pela conquista na prova de Mestrado. Essa é mais uma prova que a turma de Educação Ambiental tem um grande potencial. Marcus

quinta-feira, 22 de março de 2012

POLÊMICA SOBRE O NOVO PCCR DOS EDUCADORES DE PARAUAPEBAS

OS EDUCADORES DE PARAUAPEBAS NÃO ABREM MÃO
DA APROVAÇÃO DO NOVO PCCR CONSTRUIDO PELA CATEGORIA

Há quatro anos a categoria vem construindo o novo Plano de Cargos, Carreira e Remuneração da rede municipal de ensino. A greve municipal de 2010 foi resultado da falta de um PCCR que realmente valorize e contemple todos os educadores de Parauapebas.

Por isso o nosso primeiro ponto de pauta na greve era a aprovação do NOVO PCCR da categoria. De lá para cá obtivemos muitas conquistas e abrimos mão de outras. Destacamos as horas atividades, que ganhamos em primeira instância na justiça e abrimos mão do montante total, em função do nosso PCCR. Vale ressaltar que a hora atividade era um direito constitucional dos professores e o governo não pagava há quase uma década. Só passou a pagar a partir do ano passado, depois da greve.

Todavia, até o momento o governo continua nos enrolando com relação ao PCCR. Foi nomeada uma comissão pelo governo que nunca trabalhou de forma unificada e que não tem autonomia para decidir o encaminhamento dos pontos conflitantes do PCCR, que são: gratificações por nível de escolaridade, concurso público para especialista em educação, criação do cargo de educador ambiental, licença remunerada para estudos e eleição direta para diretores de escolas.

Esse governo que se diz ser cidadão, democrático e dos trabalhadores, parece não querer promover a autonomia das escolas públicas. Assim como os outros governos passados, continua usando as escolas como “currais eleitorais”, fazendo dos cargos públicos, instrumento de negociação partidária ou de coação para a manutenção do poder conservador e indolente.

Por último não quer respeitar a legitimidade da greve nacional da educação de três dias, convocada pela CNTE e coordenada em nosso município pelo SINTEPP. Lembramos ao governo que este movimento foi em prol dos 10% do PIB para a educação, o que garantiria o cumprimento imediato do piso salarial pela maioria dos governos municipais e estaduais, como também a melhoria significativa do ensino público.

Portanto, estamos contribuindo para que aumentem os investimentos em educação, que beneficiará todos os prefeitos, mesmo aqueles que estão se colocando contra a luta da categoria. Os chefes desse governo, que é formado quase todo por professores também se beneficiarão com o novo PCCR.

Por coerência, o “governo cidadão” deveria apoiar o movimento dos educadores, visto a importância que já teve esse movimento para ampliar os investimentos públicos na educação de nosso município, principalmente na melhoria salarial de todos os educadores, inclusive os que ocupam cargos de coordenadores e diretores de escolas. Será se não tivesse acontecido à greve em 2010 nós teríamos hoje as quadras cobertas, as escolas reformadas e climatizadas, a entrega dos notebooks, a melhoria da merenda escolar e o pagamento das horas atividades?

Esperamos mais uma vez que o governo não inviabilize a aprovação do novo PCCR e não cause mais transtornos para a educação, pois só temos até a primeira semana de abril para que o PCCR seja aprovado pelos vereadores, caso contrário todas as nossas negociações aconteceram em vão e o SINTEPP terá toda a razão do mundo para encaminhar a decisão da categoria que é o NOVO PCCR aprovado ou GREVE MUNICIPAL.

Raimundo Moura, Pedagogo, Especialista em Educação Ambiental, Cidadania e Desenvolvimento Regional pela UFPA, educador da rede municipal e estadual de ensino, membro do Conselho Municipal de Educação de Parauapebas e da Comissão do PCCR.

quarta-feira, 21 de março de 2012

VAMOS SOCIALIZAR O RESUMO DOS ARTIGOS FINAIS DO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL, CIDADANIA E DESENVOLVIMENTO REGIONAL


ARTE E EDUCAÇÃO AMBIENTAL: O Currículo e a Prática Pedagógica do Ensino de Arte no 3º e 4º Ciclos do Ensino Fundamental na Escola Novo Horizonte
Maria Geneuci da Silva Santos
Universidade Federal do Pará (UFPA) - Campos de Marabá/Pa
mariageneucidasilvasantos @yahoo.com.br

RESUMO
Este artigo é resultado de uma pesquisa de campo realizada sobre o tema Arte e Educação Ambiental, a qual analisou a Proposta Curricular para o ensino de arte no 3º e 4º ciclos do Ensino Fundamental desenvolvida na Escola Municipal Novo Horizonte, bem como a relação desse currículo de artes com a E.A através da prática pedagógica dos educadores dessa modalidade de ensino.  A fim de refletir sobre os procedimentos didático-pedagógicos desenvolvidos em sala de aula que viabilizem a emancipação dos sujeitos envolvidos. Os argumentos aqui apresentados giram em torno da premissa de que as transformações dos valores éticos e estéticos modificam atitudes e comportamentos nas relações dos sujeitos com o meio ambiente. A análise feita permitiu compreender como o ensino da arte se distancia da E.A. Para tanto a pesquisa tem como fundamentos teóricos abordagem sobre a importância da educação ambiental, da história da arte e os valores sociais. Tendo como foco, o currículo escolar em arte e tema transversal a E. A e suas implicações culturais. Além de ter como foco de análise o Plano Municipal de Educação, tomando como referência o Parâmetro Curricular Nacional para o Ensino de Arte e a Proposta Curricular Municipal para o Ensino de Arte nos 3º e 4º ciclos do Ensino Fundamental. Como técnica de coleta de dados in loco fez-se observações das atividades do educador de Arte em sala de aula. Finaliza com a apresentação de algumas considerações para a reflexão acerca da mudança paradigmática do pensamento ocidental em direção ao pensamento sistêmico e seus benefícios à educação e à sustentabilidade.
 
Palavras-Chave: Educação Ambiental, Ensino de Artes, Transdisciplinaridade, Sustentabilidade.

domingo, 11 de março de 2012

Cavernas, lagos e cifrões


Por Lúcio Flávio Pinto | Cartas da Amazônia – qua, 8 de fev de 2012
 
Em 1967, um pequeno grupo de geólogos, contratados por aquela que era então a maior siderúrgica do mundo, a United States Steel, confirmou em pesquisa de campo: 500 quilômetros ao sul de Belém, a 900 quilômetros do litoral norte, em plena selva amazônica, havia a melhor jazida de minério de ferro do planeta.
Carajás era um paraíso. O minério mais usado pelo homem aflorava no alto dos platôs cobertos por vegetação rasteira, em altitudes que chegavam a 600 metros. As encostas eram tomadas, em grande densidade, por árvores altas, que se espraiavam por todas as direções. Circundando as serras, dois rios serpenteavam suas águas. A fauna era rica, exuberante. Aquele lugar merecia servir de imagem para o Éden.
Minério e natureza selvagem são termos acompanhantes — e também conflitantes. A extração de um é feita à custa da integridade da outra. Mas nunca esse choque foi tão forte quanto em Carajás.
Originalmente, esse enorme depósito de ferro devia ser levado para os Estados Unidos. Mas quando a US Steel se retirou do empreendimento, em 1977, a estatal Companhia Vale do Rio Doce, que sucedeu a multinacional americana, desviou o rumo para o Oriente. A hematita do Pará atravessaria 20 mil quilômetros de mares e iria preferencialmente para o Japão, até então abastecido pela Austrália, que estava quatro vezes mais próxima.
Ao chegarem a Carajás, os japoneses se deslumbravam. Diga-se que não era apenas pelo fato de que o teor de hematita na rocha daquela região possuía o dobro da qualidade do similar australiano. Era também porque a rica paisagem contrastava com a aridez das zonas mineiras tradicionais. Ambiente igual não existia. Só em Carajás.
Em 2007 a Vale, privatizada 10 anos antes, comemorou o primeiro bilhão de toneladas produzidas em Carajás. Dava a média de 45 milhões de toneladas por ano. Nos primeiros anos após a inauguração da mina, em 1984, a produção não fora além de 25 milhões de toneladas, que era a meta do projeto. Nos anos mediatamente anteriores ao 1º bilhão, a produção era de 90 milhões de toneladas.
Neste ano já devia passar para 130 milhões, mais de um terço de toda a produção da Vale, que é a segunda maior mineradora do mundo (depois da anglo-australiana BHP Billiton) e a maior vendedora de minério de ferro. Mas desde 2006 a produção não cresce, derrubando as metas fixadas pela empresa.
Era porque a Vale não conseguia liberar seus novos projetos em Carajás. Só no final do mês passado, depois de 10 anos sem expedir qualquer documento para a companhia, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis aprovou o licenciamento ambiental para o funcionamento da quinta mina na parte norte da jazida.
O ato foi muito comemorado, mas dele não resultará qualquer
modificação na escala da extração. Melhorará apenas a qualidade da mercadoria, já que a mina liberada contém minério de melhor teor do que o das minas já em exploração.
Para a Vale, o mais importante é se essa aprovação indicar a tendência do Ibama de repetir o licenciamento, talvez ainda neste ano, de uma nova área de mineração, ao sul das minas que estão em atividade há quase 40 anos. A Serra Sul tem mais e melhor minério. Por isso proporcionará à Vale dobrar a atual produção. Mas também é uma paisagem ainda mais deslumbrante e rara.
No conjunto de serras do sul do distrito mineral há um belo e profundo lago perene. Há várias cavernas, nas quais o homem viveu, a partir alguns milhares de anos atrás. São testemunhos arqueológicos valiosos.
Um antigo gerente de Carajás quis dinamitar cavernas da Serra Norte, que abriram um novo capítulo para a reconstrução da presença humana na Amazônia. Foi contido.
Desde então, cavernas têm que permanecer intocadas em áreas de mineração. Se assim continuar, Serra Sul não poderá existir. Mas ela é um projeto de oito bilhões de dólares (10% previstos para 2012). Ao preço de hoje, permitiria à Vale faturar mais do que US$ 10 bilhões por ano, mandando 60% de toda a sua produção para a China.
São quantidades de causar impacto, como vem acontecendo em Carajás desde 2001, quando os chineses, que até então eram um cliente de pouca significação (compravam 5% do minério da Vale), começaram a avançar sobre as montanhas de minério rico. Suplantaram seus vizinhos japoneses e agora pesam nos destinos da Vale — e do Brasil — como, talvez, nenhum outro país em toda a história nacional.
Graças a isso, no ano passado o lucro líquido da Vale representou quase 10 vezes mais do que os US$ 3,3 bilhões pagos ao governo pelo controle acionário da estatal, a jóia da coroa das privatizações realizadas a partir do governo Collor (e só na aparência interrompidas pela administração do PT, aparência desfeita de vez pela alienação de três aeroportos até então oficiais).
Quase metade dos US$ 30 bilhões de lucro de 2011 serão investidos pela Vale neste ano. O principal empreendimento é o de Serra Sul, que praticamente recomeça a história de Carajás e dá um salto (talvez mortal) nas transações com a China. Cavernas e lago terão vez nessa agenda de cifrões?

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Fórum Social: O que João Pedro Stedile disse a Dilma em Porto Alegre

Durante o encontro de Dilma Rousseff com representantes do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) questionou a presidenta sobre a agenda ambiental do governo, em especial sobre o Código Florestal, a agricultura familiar, a agroecologia e a Amazônia. "Para nós não há possibilidade de desenvolvimento sustentável sem redução da desigualdade social", reafirmou Dilma.
Verena Glass - Repórter Brasil
Transcrição da fala de João Pedro Stedile, do MST, na reunião entre Dilma e representantes da sociedade civil, realizada em 26 de janeiro de 2012, durante o Fórum Social Temático em Porto Alegre:

“Quero começar, em nome dos movimentos sociais do campo, a cumprimentar a nossa presidenta por ter escolhido Porto Alegre e não Davos. A senhora parece ser realmente corajosa. Mas a minha obrigação aqui, em nome dos movimentos sociais do campo – sem querer representar a todos –, é trazer algumas idéias nesse espírito do diálogo aberto e franco.

Prometo não falar de reforma agrária, porque ela está paralisada, apesar de termos ainda 180 mil famílias acampadas nas beiras das estradas que precisam pelo menos de uma solução humanitária. Mas como o tema aqui é Rio + 20, nós analisamos no MST, com tudo que aprendemos na tradição de luta socialista e cristã, que a melhor pregação é o exemplo. Que o Brasil só pode liderar um processo internacional de defesa do nosso planeta, da nossa biodiversidade, se nós dermos o exemplo.

Nós temos uma agenda nacional que precisa ser resolvida. A primeira delas é que não podemos admitir as mudanças que foram acordadas no Senado para o Código Florestal. Vamos descobrir seu correio eletrônico para que o povo brasileiro lhe escreva para pedir o veto de alguns artigos que a senhora mesmo se comprometeu [a vetar] durante a campanha, e que nós não podemos aceitas.

Nós não podemos aceitar a anistia dos crimes ambientais dos latifundiários, assim como não aceitamos a redução da reserva legal, mesmo nos quatro módulos. Porque isso abre brecha para o capital internacional seguir desmatando o Cerrado e a Amazônia. A nossa política – esperamos que a senhora concorde – é do desmatamento zero. Não há necessidade de derrubarmos mais nenhuma árvore para seguirmos aumentando a produção de alimentos, inclusive em condições muito melhores.

A segunda agenda: nós precisamos fazer um grande programa nacional de reflorestamento para a agricultura familiar, controlado pelas mulheres – já que as mulheres agora mandam nesse país -, um programa para que cada agricultor familiar possa reflorestar dois hectares. Isso é uma merreca. O BNDES dá tanto dinheiro para multinacional, chegou até a financiar a America Online, massa falida… Por que não pode dar dinheiro para a agricultura familiar reflorestar o nosso país, que é uma contribuição para a humanidade?

Terceira agenda: nós precisamos com urgência um programa nacional que estimule a agroecologia. Um programa de políticas públicas que recupere uma agricultura sadia, que plante alimentos sem veneno. Quanto mais agrotóxico colocarmos nos alimentos, maior a incidência de câncer. É uma obrigação nossa produzir alimentos sadios, e para isso as técnicas da agroecologia são as mais recomendadas. Mas o governo está ausente, e é preciso ter políticas públicas que compensem e estimulem [estas práticas].

Quarta agenda: o Ministério da Integração Nacional anunciou que vai irrigar 200 mil hectares do Nordeste. Ótima noticia. Mas aí vai para lá a Cutrale, empresários do Sul, isso é uma vergonha, presidenta. Nós apelamos, em nome dos nordestinos, nós precisamos distribuir esses 200 mil ha para fazer assentamentos. Dois hectares por família, a senhora vai assentar 100 mil agricultores do Nordeste, que vão ficar juntinhos da água, e resolve três problemas: do alimento, da água e do emprego. Não precisa levar empresários do Sul. Senão vamos ocupar as terras deles.

Quinta agenda: nós não podemos nos conformar que governos do exterior deram 700 milhões para o Fundo Amazônia, e o dinheiro está lá parado no BNDES, e pela burocracia do banco só 10% do dinheiro foi aplicado. E ainda assim, dos 23 projetos, a maioria é de governos da Amazônia, de Rondônia, do Amapá. Ora, a vocação deste dinheiro é para recuperar a Amazônia, são projetos sociais, não é para governo. Governo tem outros mecanismos.

Por último, nós não podemos fazer uma conferência de meio ambiente e os nossos irmãos guarani-kaiowa continuam morrendo. Isso é uma dívida de honra. Nós não podemos aceitar que o agronegócio continue matando os povos indígenas que são os verdadeiros zeladores da nossa biodiversidade e do território. Então se a senhora só resolver os problemas dos guarani-kaiowá no Mato Grosso do Sul já vai para o céu. Agora, se não resolver isso, não adianta falar em biodiversidade, assinar documento. E a mesma coisa com as comunidades quilombolas. Faz dois anos que o Incra não legaliza nenhuma área quilombola. É a maior dívida social que nós temos, o país foi construído com trabalho escravo, e agora não consegue reconhecer uma área? Nós temos que recuperar a legalização das terras quilombolas.”

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Vale vence prêmio de pior empresa do mundo

A transnacional brasileira Vale conquistou o primeiro lugar no 'Nobel' da vergonha corporativa no Public Eye Awards, que elege por voto popular a pior empresa do mundo em questões ambientais, sociais e trabalhistas. O prêmio foi criado pelo Greenpeace Suíça e Declaração de Berna e o vencedor é sempre revelado durante o Fórum Econômico Mundial, aberto nesta semana em Davos, na Suíça.
A Vale disputou o primeiro lugar com a japonesa Tepco, envolvida no desastre nuclear de Fukushima, mas superou a usina com um total de 25.041 votos. Para as entidades que indicaram a Vale ao prêmio - a Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale, representada no Brasil pela Rede Justiça nos Trilhos, e as ONGs Amazon Watch e Xingu Vivo para Sempre -, o fato de a Vale ser uma multinacional presente em 38 países e com impactos espalhados pelo mundo, ampliou o número de votantes.
Para os organizadora do Public Eye, um fator determinante para a entrada da Vale na disputa entre as piores foi a adesão em 2010 no Consórcio Norte Energia, que constrói a usina de Belo Monte, no Rio Xingu.
“Para as milhares de pessoas, no Brasil e no mundo, que sofrem com os desmandos desta multinacional, que foram desalojadas, perderam casas e terras, que tiveram amigos e parentes mortos nos trilhos da ferrovia Carajás, que sofreram perseguição política, que foram ameaçadas por capangas e pistoleiros, que ficaram doentes, tiveram filhos e filhas explorados, foram demitidas, sofrem com péssimas condições de trabalho e remuneração e tantos outros impactos, conceder à Vale o título de pior corporação do mundo é muito mais que vencer um prêmio. É a chance de expor aos olhos do planeta seus sofrimentos e trazer centenas de novos atores e forças para a luta pelos seus direitos e contra os desmandos cometidos pela empresa”, afirmaram representantes das entidades que encabeçaram a campanha contra a mineradora.
As demais vencedoras foram a Tepco (24.245 votos), Samsung (19.014 votos), Barclays (11.107), Syngenta (6.052) e Freeport (3.308), empresa que atua na Papua e é acusada de torturar e matar os que levantam suas vozes contra seus abusos.
Com informações do Movimento Xingu Vivo para Sempre e Public Eye Awards

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Pouco se falou de um outro  relatório, divulgado no mesmo dia em Davos pela organização Amigos da Terra, que traz mais informações sobre a atuação da empresa. O documento tem oito páginas, mas aqui vai um resumo das principais informações:
- Em 2008, a Vale declarou sua intenção de reduzir suas emissões de carbono. Ao invés disso, em 2010, emitiu 20 milhões de toneladas de CO², um aumento de um terço em relação aos níveis de 2007 (de 15 milhões de toneladas de CO²).
- Segundo o relatório, a empresa conta com representantes na delegação oficial do governo para as Nações Unidas e é uma das empresas que têm exercido pressão para minar (perdão pelo trocadilho) políticas globais de combate ao aquecimento global.
- O texto menciona também a Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), no Rio de Janeiro. Segundo a Amigos da Terra, a atividade no complexo de produção de aço elevou as emissões do estado em 76%. “O projeto comprometeu severamente o sustento de oito mil pescadores da baía de Sepetiba e a companhia foi denunciada por crimes ambientais”, disse Lucia Ortiz, da Amigos da Terra Internacional.

- No caso da mina de carvão Moatize, em Moçambique, a mineradora brasileira é criticada por ter realocado 1.300 famílias em áreas com difícil acesso à água, energia e terras aráveis, em casas em mau estado de conservação. A mina de Moatize começou a ser explorada no ano passado e é considerada uma das maiores reservas de carvão do mundo. “Membros das comunidades locais foram ameaçados e perseguidos e estes relatos são apenas a ponta do iceberg”, afirmou Daniel Ribeiro, do escritório local da organização Amigos da Terra.
Para rebater o troféu indesejado e as informações da Amigos da Terra, a Vale criou uma página na internet. Nela, a empresa afirma que, ciente de que a atividade mineradora gera impacto, a empresa “atua de forma a controlá-los e reduzi-los”.
Também divulgou que investirá, este ano, a quantia de US$ 1,65 bilhão em ações socioambientais.
No site, podem ser encontradas informações correspondentes a algumas das críticas feitas no relatório da Amigos da Terra. Outras, porém, como a relacionada ao empreendimento no Rio de Janeiro, ficam sem resposta. A assessoria de imprensa da Vale afirmou que a empresa não se manifestará sobre o relatório.

Clarice Couto é editora-assistente de Época NEGÓCIOS

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Vale duplica ferrovia e multiplica violações no Maranhão e Pará

Revista Caros Amigos - Edição dezembro/2011

Em reportagem especial, a jornalista Tatiana Merlino retrata os danos ambientais e sociais causados pela mineradora VALE, nos estados do Maranhão e do Pará. Privatizada em 1997, a ex-estatal Companhia Vale do Rio Doce deu um salto no mundo privado e é hoje uma das maiores do mundo – graças principalmente à voracidade com que tem sugado os recursos naturais do Brasil para abastecer os mercados internacionais.
A VALE é tão importante para estados e municípios que a grande maioria das autoridades fecha os olhos diante dos danos causados pela empresa, não apenas a super-exploração dos minérios,mas também o desprezo com que trata pessoas e cidades que se encontram no seu caminho. É o que acontece com a duplicação da ferrovia da VALE – cujo projeto tem provocado as mais bárbaras violações dos direitos sociais e humanos.

Trecho extraído da matéria:

Lucinete* aproxima-se de um homem sentado em uma cadeira de plástico, que, acompanhado de uma jovem, toma cerveja.
– Oi, tudo bem? Você não me ligou... Por quê? – questiona ela.
Não é possível ouvir a resposta.
“Combinamos de ele me ligar amanhã ao meiodia para a gente sair”, conta Lucinete ao voltar, sorrindo. O homem aparenta ter entre 50 e 55 anos, e, embora esteja com uma moça ao seu lado, a quem acaricia e beija, lança muitos olhares para o corpo de Lucinete. A adolescente de 16 anos veste uma calça jeans justa, mini-blusa vermelha, também colada ao corpo, batom vermelho e pintura forte nos olhos.
Como Lucinete, várias outras meninas circulam pelo local, numa noite de sábado do mês de outubro. O figurino é o mesmo: roupinhas justas, curtas, brilhantes, maquiagem no rosto, salto alto, unhas pintadas, cabelo arrumado. A casa de baile de Bom Jesus das Selvas, município localizado no oeste do Maranhão, é o ponto de encontro da cidade, a balada onde jovens, e nem tão jovens, encontram-se para beber, dançar e confraternizar. É ali que também ocorrem os encontros de meninas pobres da cidade com os funcionários das empresas que chegaram a partir de 2010, entre elas a Norberto Odebrecht. Na cidade, a construtora instalou um de seus canteiros de obras para a duplicação de 605 dos 892 quilômetros da Estrada de Ferro Carajás (EFC), concessionária da transnacional mineradora Vale (os quilômetros restantes já foram duplicados e hoje servem de pátios de cruzamento).
A duplicação faz parte de um pacote de cerca de 7,8 bilhões de dólares até 2014 e atenderá o maior projeto da história da empresa e também o maior da indústria de minério de ferro do mundo: o S11D, que será implantado na Serra Sul de Carajás, em Canaã dos Carajás, Pará.
Para atender à iniciativa, a mineradora também construirá um ramal ferroviário de 100 quilômetros ligando a mina de Canaã dos Carajás à EFC, em Parauapebas, e um quarto píer no Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, na capital São Luís, no litoral maranhense. O projeto aumentará a capacidade de produção de minério dos atuais 100 milhões de toneladas ao ano, em 2010 para 230 milhões, em 2015.
Tal aporte pode ser explicado pela pesquisa da Global Industry Analysts (GIA), que aponta que até 2015 o consumo mundial de minério de ferro deve atingir 1,7 bilhão de toneladas ao ano, aumento de 70% em relação a 2010. O aumento no consumo é impulsionado pelo crescimento da economia de países emergentes, em especial a China.